Benvindos a Tora-Bora. Verdades de destruição maciça, ataques verbais preventivos, resoluções de Nações desunidas. Ataques de Kalashnikov que não são atentados suicidas.  

Kalashnikov


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Terça-feira, Setembro 28, 2004 :::
 
O anti-terrorismo humanitário do Kremlin

Vladimir Putin oferece dez milhões de dólares pela captura de Shamil Bassaiev, o comandante tchetcheno que reivindicou o sequestro de Beslan. À semelhança da, até agora infrutífera, caça a Osama Bin Laden, o denunciador será premiado com uma avultada recompensa, dez milhões de dólares. Putin introduz no entanto uma novidade: o valor será entregue às famílias afectadas caso sejam as forças de segurança a capturar Bassaiev. Nasce o anti-terrorismo humanitário, comparável apenas àquele introduzido por George Bush quando, em reacção aos atentados do 11 de Setembro, bombardeou o Afeganistão com mísseis e rações de sobrevivência.



Ler artigo de "Prague Watchdog"


::: posted by JOSÉ MIGUEL SARDO at 17:10


Segunda-feira, Setembro 27, 2004 :::
 
Afinal, quem apoia quem?

Confesso que gosto da "bússola política" que o Público traz na edição de sexta-feira, a propósito das eleições no PS. Trata-se de uma ferramenta inventada por um tal sítio chamado Political Compass, ao qual o jornal parece ter achado muita piada (aposto que, na redacção, fizeram todos o teste).

Consiste em ver o posicionamento das pessoas num gráfico com quatro quadrantes e duas rectas que vão de esquerda à direita e de libertário a autoritário, através de um teste de perguntas. O primeiro gráfico era sobre os candidatos à liderança do PS...



De seguida, os apoiantes desses mesmos candidatos...



Finalmente, um conjunto de "líderes mundiais" (alguns deles, como é o caso de Saddam Hussein, já conheceram melhores dias no que toca ao desempenho das funções de "líder").



Depois de muito analisar os gráficos, só fiquei sem perceber uma coisa: afinal o Papa, o Dalai Lama e o Robert Mugabe apoiam qual dos candidatos à liderança do PS?

(c) Ricardo Figueira

::: posted by DULCE DIAS at 09:36


Terça-feira, Setembro 21, 2004 :::
 
25 de Abril sempre - e Salazar numa T-Shirt

Encontrei há poucos dias, no blog do meu amigo Luís Fernandes, um link interessante para um sítio, aparentemente nos Estados Unidos, onde se comercializa todo o tipo de merchandising relativo a um tal António de Oliveira Salazar. São t-shirts, bonés, babetes, ursinhos de peluche, relógios e até, pasme-se, cuecas de fio dental, tudo com a efígie do velho "botas" e com a inscrição "Salazar is great". É à vontade do freguês.



Blasfémia, dirão uns. Para a fogueira, dirão outros. Alto aí. Se bem me lembro, um dos princípios que fez com que um grupo de corajosos capitães, no dia 25 de Abril de 1974, tenha saído à rua para depor o regime anteriormente incarnado por Salazar foi, se não estou a falhar, a liberdade de expressão. Pelo menos, foi assim que me contaram a história.

Antes que alguém obrigue o referido sítio a fechar, ou impeça pura e simplesmente o seu acesso em Portugal, quero deixar aqui a minha opinião: A forma certa de honrar os princípios do 25 de Abril não é proibir, mas permitir. A verdadeira liberdade de expressão existe quando todos são livres de exporem as suas ideias, mesmo quando essas ideias vão contra o próprio princípio da liberdade. Assim não pensa a esmagadora maioria do nosso panorama intelectual.

Estou a lembrar-me, por exemplo, do sub-director do Público Nuno Pacheco, que há alguns anos dirigiu uma campanha pública contra a reedição, pela editora Hugin, do livro "Mein Kampf" de Adolf Hitler. Acabou por levar a água ao seu moinho, já que o livro foi retirado de circulação.

Se a história se vier a repetir com o "Salazar Gear", será um triste desfecho, que vem reforçar um preconceito antigo: que a liberdade de expressão é um exclusivo dos totós de esquerda, vedado aos totós de direita. Se umas centenas de jovens imberbes da JCP podem fretar um comboio para o Porto para irem dar vivas ao ditador Fidel Castro, por que razão não poderá um energúmeno de direita usar uma t-shirt com o ditador Salazar?

Se esta for mais uma luta pela liberdade de expressão, então usar a t-shirt de Salazar será, por mais incrível que pareça, o mesmo que dizer "Viva o 25 de Abril!" ou, como diz um dos slogans da Amnistia Internacional, "posso não concordar com o que dizes, mas luto para que o possas dizer".

(c) Ricardo Figueira


::: posted by DULCE DIAS at 16:48


 
Medalha da ordem da cobardia

Depois da brincadeira, o mea culpa (forçado): afinal, o coronel Budanov já não vai ser alvo do tão almejado indulto.



Para quem não conhece a história: este senhor, comandante de um regimento russo na Chechénia, foi condenado, há cerca de um ano, a dez anos de prisão pelo assassínio de uma jovem chechena de 18 anos. Escapou às acusações de violação porque - não havia provas. Passado este tempo, e no rescaldo dos terríveis acontecimentos de Beslan, o governador da região de Ulyanovsk, Vladimir Shamanov, achou que o coronel Budanov seria a pessoa indicada para um indulto. Pelos vistos, durante a estadia na prisão, este respeitável senhor deitou-se e levantou-se a horas, comeu a papinha toda e não voltou a matar mais ninguém. O que, claro está, é razão mais que suficiente para ser mandado para junto dos seus entes queridos e fora dessa coisa horrível e deprimente que devem ser as prisões russas - e mais: foi proposto que lhe fosse restituída a medalha da Ordem da Coragem, que ganhou graças aos seus métodos, como se vê, corajosos. Segundo a agência EFE, um banco russo estaria já disposto a oferecer-lhe trabalho como chefe da segurança e a mulher de Budanov ter-se-ia já mudado para um apartamento novo, nas proximidades do futuro emprego.

Recuemos um pouco, até ao dia seguinte ao massacre de Beslan. De todos os depoimentos que vi na televisão, um impressionou-me particularmente, pela forma directa e fria como foi dita a verdade. Um checheno, que orava numa mesquita de Moscovo, olhou a câmara nos olhos e disse: Chamil Bassaev, se queres fazer a guerra, luta contra homens e não contra crianças. Bate-te como um homem e não como um chacal.

Confesso que tinha planeado escrever aqui um artigo sobre a falta de tomates da esmagadora maioria dos media, que se recusa a chamar os bois pelos nomes - a BBC, nomeadamente, tem uma alínea no livro de estilo que proíbe a palavra "terroristas". Agora, parece-me um pouco chover no molhado culpar quem se põe com eufemismos e dizer que Bassaev e o seu bando, com este acto, se viraram contra qualquer ideal que pudessem ter e viraram toda a opinião russa, mesmo a mais crítica em relação ao Kremlin, contra si - isso parece lógico. O que me parece relevante é que aqueles que estão no poder, em vez de agirem como homens que são, parecem escolher a via do chacal ao sequer porem a hipótese de premiar alguém como Budanov. Como arma de luta, escolheram a provocação

Se há uma diferença significativa entre Budanov e Bassaev, é que este último, se for apanhado com vida, é com certeza condenado a mais de dez anos e ninguém lhe vai dar indultos nem medalhas da Ordem da Coragem.

Ao fim de muita pressão da opinião pública, o procurador de Ulyanovsk considerou a proposta de indulto feita pelo governador como "inoportuna". Talvez alguém, no meio desta história, queira candidatar-se à medalha da Ordem da Cobardia!

(c) Ricardo Figueira

NOTÍCIA PUBLICADA NA AGÊNCIA RIA NOVOSTI, 20/09/04:

TOO EARLY TO PARDON BUDANOV, SAY PROSECUTOR'S MEN

MOSCOW, September 20 (RIA Novosti) - The Ulyanovsk regional prosecutor's officers do not think it reasonable to pardon Yuri Budanov now, says an office statement signed by Viktor Malyshev, top regional prosecutor, and forwarded to Vladimir Shamanov, regional governor. The statement has reached RIA Novosti.
The prosecutor's experts point out procedural violations made as Budanov's pardon application was considered.

Thus, the application was made without due account for the public danger of the convict's crimes, which the court qualified as grave and exceptionally grave-kidnap, murder in aggravating circumstances, and violent abuse of office that brought grave consequences, says the prosecutor's statement.
Budanov has been in prison only since November 11, 2003-too little to judge whether he has truly repented. The way the convict is described in the application for pardon clashes with his psychological portrayal, which warn to expect of him "violent outbreaks followed by moral-based emotions."
Budanov has for today served less than a half of his term, precisely four years, five months and 24 days, which is hardly enough for his correction, stress the prosecutor's experts.

The prison administration's application certainly clashes with hard facts, and pardon is presently ruled out, says the statement.
The pardon application bears the regional governor's signature.

Colonel Yuri Budanov, then in command of the 160th Tank Regiment, killed Elsa Kungayeva, Chechen girl of eighteen, in summer 2000. The North Caucasian district court martial made a verdict of "guilty", July 25, 2003. Budanov was convicted to ten years in a maximum-security prison, demoted in rank, and deprived of his Order for Valor.
Now, he is in convict camp No. 3 in Dimitrovgrad, Ulyanovsk Region.


::: posted by DULCE DIAS at 16:39


Segunda-feira, Setembro 13, 2004 :::
 
Tranquilizantes para silenciar massacre de Beslan

Os serviços secretos russos, FSB, antigo KGB, voltam a ser acusados de "drogarem" jornalistas problemáticos de forma a impedi-los de cobrir o massacre de Beslan. Há uma semana, a jornalista Ana Politovskaya, foi hospitalizada a meio da sua viagem para a Ossétia do Sul. Diagnóstico médico: drogada com sedativos misturados num chá. Um jornalista russo tinha igualmente sido detido, acusado de "hooliganismo", quando se preparava para embarcar num avião para Beslan. Agora surge um novo caso, o de uma jornalista georgiana "drogada" durante a sua estada na Ossétia do Norte, que despertou numa cela dos serviços secretos. Vladimir Putin estará a aplicar os ensinamentos que utilizou durante anos como agente do KGB na Alemanha? A Perestroika estará em marcha-atrás?



Artigo publicado no "The Guardian":
Second Journalist 'Drugged' by Russians

Claire Cozens and agencies
Friday September 10, 2004

A Georgian journalist detained by Russian authorities after reporting on the Beslan school massacre was drugged, according to medical experts, raising fresh concerns about press freedom in Russia.
She is the second journalist to claim she was poisoned while trying to cover the school siege in North Ossetia - earlier this week Anna Politkovskaya, one of President Vladimir Putin's most outspoken critics, said she had been drugged on a flight to a nearby airport.

Nana Lezhava of the independent Georgian broadcaster Rustavi-2 said she had slept for 24 hours while in the custody of the Russian authorities after being given coffee in her cell, and felt ill when she woke up.

Gela Lezhava of the Georgian drug research institute told reporters that urine samples taken from Lezhava after her release this week showed traces of tranquilisers, and that he suspected the journalist was drugged.

The tests were conducted at the request of Rustavi-2, which aired an interview with Lezhava and her colleague, cameraman Levan Tetvadze, earlier this week in which she complained feeling weak.

"On Monday evening I was offered coffee. I drunk it and woke up only at 8pm next day. I don't remember how I was carried into the isolation ward of federal security service," she said in the interview.

Politkovskaya of the daily Novaya Gazeta told a similar story this week. She fell ill after drinking tea given to her on a flight from Moscow to Beslan to report on the school siege.

Writing for the Guardian this week, Politkovskaya told how the nurse in the hospital she was taken to had told her she had been poisoned.

"The nurse tells me that when they brought me in I was 'almost hopeless'. Then she whispers, 'My dear, they tried to poison you.' All the tests taken at the airport have been destroyed - on orders 'from on high', say the doctors."

Lezhava and Tetvadze were accused of violating visa rules when they entered Russia from neighbouring Georgia and prevented from covering the aftermath of the tragedy. Rustavi-2 maintained the pair did not need visas to enter Russia.

Both journalists were released on Wednesday after the Georgian president, Mikhail Saakashvili, personally contacted the Mr Putin. No charges have been brought against them and their employers claim their detention was a "gross violation" of their human rights.

The coverage of the Beslan massacre has divided the Russian press with state TV channels failing to cover the first hour of the horror unfolding last Friday morning. They have also been accused of holding back on criticism of the way Mr Putin handled the siege.

And in the press there have also been recriminations with Raf Shakirov, the editor of daily newspaper Izvestiya, sacked after his reports proved too raw and emotional for its Kremlin-loving metal magnate proprietor.

Politkovskaya, who has a reputation for fearless writing about the Chechnya war, said she feared the Russian media were stepping back into a "Soviet abyss".

She pointed out that the Russian Union of Journalists conspicuously failed to protest against the sacking of Shakirov.

"We are hurtling back into a Soviet abyss, into an information vacuum that spells death from our own ignorance. All we have left is the internet, where information is still freely available.

"For the rest, if you want to go on working as a journalist, it's total servility to Putin. Otherwise, it can be death, the bullet, poison, or trial - whatever our special services, Putin's guard dogs, see fit," she said. Another journalist and critic of the Kremlin's policy in Chechnya, Andrei Babitsky of Radio Free Europe, never made it to Beslan after being detained by Russian authorities.

Research released this week showed that just 13% of Russians trust media reports about the tragedy, in which at least 335 people died.

Eighty-five per cent of respondents expressed disbelief in the reports, according to the poll conducted across Russia by the St Petersburg-based Independent Analytical Centre last weekend.



::: posted by JOSÉ MIGUEL SARDO at 15:30


Quinta-feira, Setembro 09, 2004 :::
 
Actualização: Site internet do Exército islâmico do Iraque Desactivado

O cyberespaço sequestrado por grupos terroristas. Depois dos vídeos das execuções, os sequestros em tempo real. O grupo armado que raptou dois jornalistas franceses no Iraque tinha publicado na quinta-feira 11 a sua página na internet para comunicar os seus propósitos e divulgar as suas acções. O site oficial do "Exército de Libertação do Iraque" foi desactivado em menos de 24 horas. Para além de exibir uma galeria de "troféus" de guerra - os diversos reféns capturados - o site mostrava a foto do filho do condutor sírio dos dois jornalistas franceses, abraçado a um militar norte-americano. Alguém desactivou a provocação , calando a voz a este misterioso grupo no dia em que expira o terceiro ultimato, sem que o grupo tenha apresentado qualquer outra reivindicação.



O misterioso grupo armado que mantém sequestrados dois jornalistas franceses no Iraque teve uma página na internet durante menos de 24 horas. Um site "oficial", onde o grupo expunha como troféus de guerra o jornalista Enzo Baldoni, executado há semanas depois de sequestrado, assim como fotografias dos dois jornalistas franceses raptados nos arredores de Najaf.

As mensagens em árabe incluídas no site foram impossíveis de traduzir. Recordemos que os dois jornalistas franceses, Christian Chestnot da Radio France International e Georges Malbrunot, do jornal "Le Figaro", estão desaparecidos desde dia 20 de Agosto. Até ao momento os seus sequestradores, que começaram por exigir a abolição da lei francesa que interdita o porte de símbolos religiosos nas escolas públicas, limitaram-se a pedir mais 24 horas para tomar uma decisão. O prazo termina hoje, sábado. Há dias tinham pedido a Ossama Bin Laden que se pronunciasse sobre a sorte dos reféns.

Continua assim o mistério sobre as reais intenções deste grupo, que, ainda que apontado como salafita, não parece manter contacto com os meios salafitas iraquianos nem com as restantes comunidades muçulmanas. É no entanto patente a forma como à semelhança de outros grupos de sequestradores, os seus objectivos passam por incitar o ódio contra a ocupação norte-americana, punindo todos os colaboradores. Exemplo, mesmo que os dois franceses possam ser poupados dado a política exterior de Paris durante a intervenção no Iraque, o condutor sírio dos dois gauleses parece no entanto estar mais ameaçado. No site internet, os sequestradores publicavam um fotografia do filho do condutor, que afirmou estar a ser alvo de ameaças de morte. Na foto, o filho do condutor surge abraçado a um soldado norte-americano. Um símbolo da colaboração criticada pelos grupos armados que semeiam o terror ao longo do Iraque, exterminando aqueles que chamam de "colaboracionistas". A incerteza quanto à sorte dos dois jornalistas mantém-se no entanto.

O endereço do site do Exército de Libertação do Iraque (desactivado):
entrar

::: posted by JOSÉ MIGUEL SARDO at 19:47


 
Brigadas de Islambouli negam implicação no sequestro de Beslan

Um site islamista publica a mensagem, em francês, que passaremos a transcrever. No comunicado assinado pelas brigadas de Al-Islambouli, o grupo islâmico que reivindicou a responsabilidade pela queda de dois Tupolev que provocou quase uma centena de mortos há semanas na Rússia, nega a autoria do sequestro de Beslan. Até agora Putin é o único culpado de massacre. Falta que o comandante tchetcheno, islamista radical, Shamil Bassayev se pronuncie.Os rebeldes tchetchenos ofereceram uma recompensa de 20 milhões de dólares pela captura de Vladimir Putin.



Numa mensagem dirigida a Vladimir Putin, o grupo armado "Brigadas de Islambouli", alegadamente egípcio, nega qualquer envolvimento no sequestro de Beslan, responsabilizando a política russa pelo aumento da violência dos Mujaidines.

O comunicado não pode ser autenticado embora provenha de um site, "al-ribaat.org" onde habitualmente são publicadas as reivindicações de grupos armados. O grupo armado afirma no entanto apoiar a "Djihad" na Tchetchénia, pretendendo espalhá-la a todo o território russo. O grupo acusa ainda o governo de Moscovo pelo massacre que terá morto mais de meio milhar de pessoas na localidade de Beslan, Ossétia do Norte. Segundo os independentistas tchetchenos próximos de Aslan Maskhadov, o presidente eleito da Tchetchénia removido por Moscovo, o saldo de morte poderá ultrapassar oitenta por cento dos cerca de mil e duzentos reféns.




Depois de Maskhadov ter negado a autoria do sequestro, os segundos na lista dos suspeitos recusaram igualmente qualquer responsabilidade. Na ausência de uma reivindicação de um grupo de terroristas, Vladimir Putin continua por agora o ser o único culpado do massacre de Beslan. Esperemos para ver se o comandante tchetcheno Shamil Basayev, líder da guerrilha mais próximo do islamismo radical, responde às acusações de Moscovo que o apontam como culpado.



"Communiqué du groupe islamique : "Les milices d'Islambouli"
Assalamou alaykoum wa rahamtoullah

Louange à Allah, Seigneur des mondes, et que la paix et la prière d'Allah soient sur le meilleur des prophètes, ainsi que sur sa famille et ses compagnons. Nous, les Milices d'Islambouli, bénissons les efforts que font nos frères en tchétchénie pour défendre leur religion et leur honneur.

Et nous déclarons qu'aucune de nos cellules n'a une relation avec l'opération de l'Ossétie, et que nous n'y avons participé ni avec les armes ni avec l'argent. Nous, les Milices d'Islambouli, faisons porter toute la responsabilité au gouvernement russe pourri, concernant la tournure des choses pendant cette opération, dont les demandes étaient justes...

Certes, le labyrhinte dans lequel se débat la Russie est le résultat des coups successifs que lui assènent les moudjahidines. Et les prochains jours verront un changement considérable dans le Djihad contre les axes de l'athéisme en Russie.

Cette Russie qui a trop fait couler le sang des musulmans. Et nous faisons un pacte avec Allah - Gloire à lui - de transformer la vie du gouvernement Russe - et à sa tête Poutine - en un enfer insupportable.

Nous ne nous calmerons pas, nous ne nous tairons pas, et nous ne n'accepterons moins que cela : que Poutine retire ses soldats des terres musulmanes de la Tchétchénie.

Et nous travaillerons d'arrache pied, dans la guerre contre le pays de l'athéisme, la Russie, afin de porter secours à nos frères tchétchènes qui continuent à faire sacrifice de leurs corps et de leurs âmes.

Ceux qui ont été injustes verront bientôt de quel tournant ils vont tourner !

Kataibs Al Islambouli
"Base du Djihad"
Samedi 20/7/1425 / 4/9/2004".


>Ler comunicado "Brigadas de Islambouli"
>Ler comunicado independentistas tchetchenos

::: posted by JOSÉ MIGUEL SARDO at
19:19


 
Golpes de Putin

Algumas das expressões com que o antigo agente do KGB na Alemanha, e judoca, assusta a comunidade internacional. Será este o discurso dos "siloviki" (homens de poder vindos do exército e dos serviços secretos próximos de Putin) em guerra não só contra os "oligarcas", mas também contra o terrorismo, de forma a alargarem o seu poder na Rússia. Putin recuperou o hino soviético, mudando-lhe apenas a letra. Seguem-se as palavras de Putin em reacção ao massacre de Beslan, citadas por um jornalista do britânico "The Guardian".O presidente recusa-se a abrir um inquérito público ao assalto que poderá ter morto mais de meio milhar de pessoas. Este é o terceiro sequestro nos últimos anos a transformar-se em massacre, depois da intervenção das forças especiais russas. Putin mantém-se inflexível. E invencível?



"Why don't you meet Osama bin Laden, invite him to Brussels or to the White House and engage in talks, ask him what he wants and give it to him so he leaves you in peace? Why don't you do that?"

"No one has a moral right to tell us to talk to childkillers".

"Correct me if I'm wrong, but Margaret Thatcher, whom I've met more than once said: 'A man who comes out into the street to kill other people must himself be killed'".



The president admitted Russian forces had committed human rights violations in Chechnya but, like the torture by US soldiers in the prison of Abu Ghraib in Iraq, these were not sanctioned from the top, he said.

"In war there are ugly processes which have their own logic," he said.



"Just imagine that people who shoot children in the back came to power anywhere on our planet. Just ask yourself that, and you will have no more questions about our policy in Chechnya".



>Ler o artigo do "The Guardian"





::: posted by JOSÉ MIGUEL SARDO at 13:57


Quarta-feira, Setembro 08, 2004 :::
 
Beslan: o outro teatro de Putin

Qual o significado de terrorismo em Beslan: a violência do sequestro de mais de mil pessoas durante dois dias e meio, ou as circunstâncias do assalto das forças russas ao longo de quase dez horas. Quem afinal matou as centenas de pessoas, o terrorismo ou o anti-terrorismo?



Os jornalistas e a opinião pública continuam sequestrados em Beslan, entre a opção de relatar o drama da população da localidade da Ossétia do Norte, que beneficia a tese oficial do Kremlin, e a opção de denunciar a actuação das forças de segurança que, por seu lado, parece remeter para segundo plano a tragédia humana de milhares de pessoas.

Depois dos atentados de 11 de Setembro e de 11 de Março, o "terrorismo" de Beslan transita lentamente das páginas de sociedade dos jornais para as páginas de política. Assim se resume o dilema: até que ponto veicular imagens de funerais e de uma manifestação anti-terrorista em Moscovo pode oficializar a versão do Kremlin, em que medida é que ignorar o sofrimento das famílias pode "normalizar" o terrorismo.

É cada vez mais difícil lidar com a utilização politicamente correcta do terrorismo, sabendo da sua capacidade de mobilizar a opinião pública. O "estado de graça" de George Bush e de Vladimir Putin e a queda de Jose Maria Aznar em Espanha comprovaram o poder de coesão do receio terrorista, que, como um argumento de campanha eleitoral, é diariamente relembrado cada vez que surgem rumores de novas ameaças ou que Washington eleva o nível de "alerta terrorista". George Orwell, no livro "1984", sublinhava a necessidade de existir sempre uma guerra de forma a que o poder instalado pudesse assegurar o apoio da população face à ideia e à imagem de um inimigo. Aqui surge outro dilema para os jornalistas: como manter a objectividade dos factos sem defender por um lado a tese anti-terrorista "oficial" nem, por outro, servir de porta-voz aos terroristas.


Vladimir Putin durante uma visita-relâmpago ao hospital de Beslam

Os jornalistas tornaram-se reféns em Beslan, à semelhança do que se tinha passado em Madrid. Aznar e Zapatero já o tinham descoberto antes esta capacidade de se trasnformar a raiva e a compaixão em apoio político.Putin utiliza-se agora desse facto.

A campanha de desinformação levada pelo Kremlin começou desde a primeira hora do sequestro de mais de um milhar de pessoas na pequena escola. Até sexta-feira, dia 3, ninguém ainda sabia ao certo quantos reféns estavam na escola, assim como quais eram os propósitos e reivindicações dos terroristas. Negociações eram levadas a cabo, mas sem se conhecer a moeda de troca exigida pelo comando armado. Sabia-se apenas que se recusariam a receber víveres e medicamentos para os reféns.

De viagem para Beslan a jornalista russa, Anna Politovska, que sempre denunciou as atrocidades cometidas na Tchetchénia para o jornal Novaya Gazeta, e que actuou como negociadora no sequestro do teatro Dubrovka, teve que ser hospitalizada, diagnóstico: envenenamento. Outro jornalista russo foi também impedido de aceder à escola, tendo sido detido no aeroporto de Moscovo, por alegadamente ter iniciado uma rixa com outros passageiros. Vários outros jornalistas lhe seguiram, inclusivé jornalistas do canal BBC impedidos de aceder a Beslan. A televisão pública russa, assim como os restantes canais controlados directa ou indirectamente pelo Kremlin conseguiram durante largas horas nunca falar do sequestro, até ter interrompido a emissão durante dez breves minutos.

Putin já tinha descoberto antes o sucesso político da sua inflexibilidade, depois do início da segunda guerra na Tchetchénia o ter colocado no cargo de presidente da Rússia. Agora o presidente russo conseguiu transformar o massacre de Beslan de uma derrota militar, e por isso política, em mais um argumento para continuar a sua estratégia de "mão de ferro" face aos independentistas tchetchenos.

A pergunta fica agora no ar, o massacre de Beslan será a repetição dos factos passados em Novembro passado no teatro Dubrovka de Moscovo. Putin socorre-se agora do espectro da Al-Qaida para se mostrar como aliado na luta contra o terrorismo. Mas fora as lamentadas falhas das forças de segurança, lamentadas por Putin, os familiares das vítimas querem saber em que guerra morreram os seus entes. O mundo quer saber afinal qual a opinião de Putin relativamente à famosa frase de Stalin que dizia "se uma pessoa morre é uma tragédia, se mil morrem é estatística". Quantas tragédias albergam afinal as estatísticas de Vladimir Putin?


Que inimigo se esconde por detrás do véu de uma das sequestradoras de Beslan?


::: posted by JOSÉ MIGUEL SARDO at 13:35


Domingo, Setembro 05, 2004 :::
 
Que sorte para os reféns "não aliados"?

Pela primeira vez na história da televisão do Qatar Al-Jazira, o canal que divulgou os videos de raptos e execuções no Iraque decidiu fazer um apelo à libertação dos dois jornalistas franceses sequestrados desde dia 20 de Agosto. Uma posição que mostra o que pode significar a execução ou a libertação dos dois profissionais. Libertados, reforçarão o papel do jornalista enquanto representante político de um Estado e das suas opções estratégicas. Mas por outro lado, e se forem executados, poderão reforçar a linha dura de combate ao terrorismo defendida por Washington e por Moscovo.Quem foi afinal sequestrado por quem?



Prudência. A palavra com que Paris tenta acalmar a expectativa em torno da libertação dos dois jornalistas franceses sequestrados no Iraque por um grupo armado salafita - o Exército de Libertação do Iraque. Christian Chesnot e Georges Malbrunot, respectivamente jornalistas da rádio RFI e do jornal "Le Figaro" encontram-se desaparecidos desde o dia 20 de Agosto. Nos últimos dias, e apesar das manifestações de apoio por parte de diversos líderes árabes, Paris tem adiado sucessivamente a data da alegada libertação "iminente".

O dilema entre a libertação ou a execução dos dois profissionais poderá trazer várias lições aos media. A sua libertação, depois da execução do italiano Enzo Baldoni e de outros jornalistas, poderá reforçar o papel dos jornalistas enquanto representantes da política militar do seu país. A par dos jornalistas incorporados, "embedded" durante a segunda guerra no Iraque, teremos agora a categoria dos jornalistas "não aliados" a Washington. A execução de Chesnot e Malbrunot poderá, por outro lado, fazer prever a redução do número de jornalistas no território e consequentemente a redução da variedade da informação que chega do Iraque. A execução, depois da carnificina na escola de Beslan, na república russa da Ossétia do Norte, poderá dar ainda mais argumentos aos governos, como de Moscovo e Washington, que defendem uma política de dureza contra os terroristas que exclui qualquer forma de negociações. Esta tese foi mesmo reforçada pelas afirmações do novo primeiro ministro iraquiano Yiad Allawi que considerou que o sequestro demonstrava a necessidade de Paris se aliar às forças internacionais no Iraque de forma a controlar a insegurança no país.

O rapto dos dois jornalistas franceses levou a televisão do Qatar Al-Jazira a, pela primeira vez, lançar um apelo aos sequestradores para que poupassem a vida dos dois profissionais. Uma situação que coloca em xeque igualmente a independência da estação acusada por Washington de promover o terrorismo ao difundir os vídeos de Osama Bin Laden assim como de sequestros e execuções no Iraque. Até agora o canal que sempre mostrou o outro lado do terrorismo, reforçando aquele difundido por Washington, tinha-se limitado a divulgar todos os vídeos, recusando-se no entanto, e nos últimos tempos, a mostrar os registos de execuções. Mas apesar da objectividade do canal destinado a um público árabe, o apelo a favor dos jornalistas gauleses tem algo de político, ao valorizar o perfil "não alinhado" de França que se recusou a participar na força internacional que sob comando da Casa Branca ocupa actualmente o território iraquiano.

O canal que pela primeira vez mostrou o outro lado de um conflito em 2001, no Afeganistão, e que esteve por várias vezes na mira do exército norte-americano, foi entretanto proibido de transmitir imagens a partir do Iraque. Bagdade ordenou o encerramento por tempo indefinido dos escritórios da Al-Jazira na capital iraquiana, até que o canal explicite a sua política de informação. No passado os responsáveis iraquianos tinham acusado o canal de conduzir a populaçâo à violência e à divisão. O canal é agora criticado dos dois lados da barreira criada pelo terrorismo. Uma prova do poder das imagens divulgadas por pequenos grupos armados cujo poder e carisma entre a população iraquiana suscita muitas dúvidas. Entre os media há quem defenda a não difusão dos vídeos dos sequestradores como forma de não ceder à chantagem e de não transformar um rapto numa prova de fogo à diplomacia de um país e aos valores dos media que parecem, esses sim igualmente sequestrados. Resta agora saber qual o castigo aplicado aos media e aos políticos, independentemente da sorte dos dois jornalistas que segundo as últimas informações parecia pender para o lado da libertação.

Nesse caso a alegria irá contrastar com a lembrança de todos os outros jornalistas, independentes, objectivos e motivados, que pereceram em função das opções políticas e estratégicas dos respectivos governos.

::: posted by JOSÉ MIGUEL SARDO at 00:40


Sexta-feira, Setembro 03, 2004 :::
 
A ideologia Anti-Bush

Os protestos contra o presidente norte-americano tornaram-se num fenómeno tão global como as manifestações anti-globalização. Ao final de quase quatro anos de mandato o discurso maniqueísta de George Bush conseguiu colocar do mesmo lado da barreira grupos tão distantes como a Al-Qaida ou os movimentos anti-globalização, os homosexuais ou os defensores da despenalização do aborto, os ecologistas ou os narcotraficantes da Colombia. De que lado fica agora o bem e o mal? Fica aqui uma lista exaustiva do que pode significar ser anti-Bush, depois do presidente se ter apresentado frente à Convenção do partido republicano em Nova Iorque como um "conservador compassivo".



Ser anti-Bush nos Estados Unidos significa antes de mais apoiar o partido democrata sem ser militante, como Michael Moore ou o responsável pela Miramax, que produziu o documentário "Farenheit 911". John Kerry por seu lado não é verdadeiramente anti-Bush no sentido em que não ousou contestar algumas das mais criticadas decisões do presidente, nomeadamente sobre a intervenção no Iraque.

Ser anti-Bush significa ser pacifista, contestar a guerra no Iraque, no Afeganistão, a pressão sobre o regime iraniano e o regime norte-coreano. Sublinha a impossibilidade de terem existido armas de destruição maciça no Iraque que justificassem uma guerra. Ser anti-Bush significa ser contra a criação de argumentos para sustentar uma tese mesmo depois desta ter sido totalmente abalada pelas evidências. Ser anti-Blair é mais restritivo neste sentido, uma vez que significa apenas nunca ter acreditado que o Iraque poderia lançar um ataque com armas pesadas em apenas 45 minutos.

Ser anti-Bush significa ser manifestante de rua perseguido pela polícia, terrorista perseguido pelos soldados, agente infiltrado perseguido pela CIA ou pelo FBI.

Ser anti-Bush significa ser a favor do regresso dos soldados norte-americanos ao seu país, assim como os italianos, os polacos, os portugueses. Significa ceder às chantagens dos sequestradores iraquianos só para fazer debandar aliados. Ser anti-Bush significa duvidar das circunstâncias em que ocorreu o 11 de Setembro e de que forma a luta contra o terrorismo planetário pode ter sido utilizada como pretexto para ocultar interesses económicos norte-americanos.

Ser anti-Bush significa ser partidário de uma resolução rápida do conflito israelo-palestiniano sem desculpas diplomáticas e atrasos imperdoáveis. Ser anti-Bush significa duvidar dos seus discursos e reagir a todas as contradições evidenciadas diariamente pelas notícias que propagam e desmentem as palavras do presidente sem admitir que se desmentem a si próprias.

Ser anti-Bush significa ser a favor do respeito do protocolo de Quioto que regula a emissão de gazes para a atmosfera e que Washington se recusa a ratificar.

Ser anti-Bush significa ser a favor das uniões entre homosexuais, ser a favor do aborto e contra os organismos genéticamente modificados. Ser anti-Bush significa que se quer ver a política acima da economia, os cidadãos acima das empresas, os laicos acima dos religiosos, os independentistas distantes dos terroristas, os muçulmanos longe do terrorismo e os cristãos evangélicos longe da política.

Ser anti-Bush significa ser a favor da liberdade de expressão na televisão, sem acreditar nas adolescentes que garantem querer ser virgens até ao casamento, e cantoras que merecem o despeito da população ao mostrarem o peito.

Ser anti-Bush significa ser terrorista ou planear um atentado contra interesses norte-americanos. Significa ser uma ameaça à segurança da América, primeiro, e dos aliados, depois.

Ser anti-Bush significa ser francês e alemão no que diz respeito ao Iraque. Significava também ser europeu até à eleição de Durão Barroso para a Comissão Europeia que confundiu muitos detractores de George Bush.

Significa ser contra a clonagem com fins terapêuticos.

Significa acreditar na segurança social para todos e não acreditar no capitalismo selvagem, no liberalismo sem freio.

Significa duvidar do poder de Osama Bin Laden e acreditar no poder de todos os lobbyes.

Significa rir-se com as gaffes do presidente "Bushismos", tremendo no entanto com o alcançe das suas palavras.

Esta parte da herança do candidato que conseguiu o acto único de fazer parte dos discursos de todos os activistas do mundo. Longe vão os tempos dos murais que diziam apenas "Americans go home". Em Novembro os americanos vão eleger o discurso que mais valorizam, se o a favor de Bush se aquele contra o presidente que se apresenta agora como um "conservador compassivo". Ser anti-Bush não significa, no entanto, ser contra a compaixão.


::: posted by JOSÉ MIGUEL SARDO at 03:14




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